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Após realizar quimioterapia, eu ainda preciso de cirurgia?

A evolução no conhecimento do câncer de mama permitiu classificá-lo em três grandes grupos: tumores luminais ( aqueles que tem dependência hormonal), tumores Her2 (apresentam a proteína Her2) e tumores triplo negativos ( não dependem de hormônio e não produzem a proteína Her2).

Á luz dos conhecimentos atuais, tumores triplo negativos e Her2 se beneficiam de realizar a quimioterapia antes do procedimento cirúrgico. Temos alguns motivos:

1) podemos avaliar se o tumor é sensível ao medicamento, avaliando o tamanho da lesão tumoral

2) aumentamos as taxas de cirurgias conservadoras da mama

3) Aproximadamente 40% das pacientes, apresentam resposta patológica completa, isto é, o tumor desaparece!

Porém nos últimos 2 anos, tivemos dois grandes estudos, chamados CREATE-X e Katherine, em que pacientes que realizaram quimioterapia apresentavam a chamada doença residual (persistência de células tumorais, mesmo após tratamento com quimioterapia). Nestes dois estudos, as pacientes continuaram com quimioterapia após a cirurgia. No caso do CREATE-X, eram pacientes do grupo triplo negativo que receberam uma medicação chamada Capecitabina após a cirurgia. No estudo Katherine, as pacientes eram do grupo Her2, e receberam uma medicação chamada TDM-1, no pós operatório.

No estudo CREATE-X, as pacientes que receberam Capecitabina após a cirurgia, tiveram uma aumento de sobrevida de 30%.

No estudo KATHERINE, a chance de um novo tumor invasivo diminuiu em 50% após a utilização do TDM-1 após a cirurgia.

Entretanto, 40% das pacientes destes grupos ( tumores triplo negativos e Her2 positivos), apresentam resposta patológica completa, isto é, desaparecimento tumor após a quimioterapia. Nestas pacientes reside a pergunta: será que a cirurgia ainda é necessária?

Ainda não temos dados suficientes, para evitar a cirurgia nestas pacientes. A medicina não determinou ainda qual o melhor exame radiológico para determinar se o tumor desapareceu: ultrassonografia, mamografia ou ressonância magnética. Também não sabemos como fazer um exame de biópsia para determinar se o tumor desapareceu.

Por tudo isso, pacientes denominadas ótimas respondedoras, aquelas em que o tumor desaparece após a quimioterapia, ainda necessitam de cirurgia.


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