A informação é a melhor prevenção

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama.

Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor.

 

​A evolução do conhecimento permitiu a identificação de inúmeros sub tipos desta doença. Hoje sabemos que existem tumores com multiplicação mais rápida, outros mais lentas, tumores com maior agressividade, tumores mais indolentes. Isso permite a individualização do diagnóstico e do tratamento, atingindo maiores índices de cura.

O câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil. São esperados para o ano de 2019, 59.700 novos casos no Brasil, acometendo em maior proporção mulheres acima dos 60 anos.

Homens também podem ser acometidos pelo câncer de mama. São esperados 597 casos de homens com câncer de mama para o ano de 2019 no Brasil.

Nossa maior arma contra a doença é o diagnóstico precoce. Estudos demonstram que mulheres descobertas com tumores de até 2 cm, sem comprometimento em linfonodos axilares, apresentam sobrevida em 5 anos de 95%.

O que aumenta o risco?

A causa do câncer de mama é multifatorial, divididos em fatores intrínsecos (da própria mulher) e extrínsecos (meio ambiente). O principal fator é a idade, pois 80% das pacientes acometidas apresentam-se após os 50 anos de idade. Aos 80 anos, de cada 10 mulheres, uma será diagnosticada com câncer de mama. Outros fatores que aumentam o risco da doença são:
 

  • Primeira menstruação precoce (abaixo de 11 anos) e menopausa tardia (acima de 52 anos).

  • Nuliparidade (não engravidar) ou engravidar após os 25 anos de idade.

  • Não amamentar.

  • Obesidade, principalmente após a menopausa.

  • Sedentarismo.

  • Consumo de bebidas alcoólicas (principalmente destilados).

  • Uso de terapia hormonal para controle dos efeitos da menopausa, principalmente se ultrapassar 5 anos de uso.

  • História familiar de câncer de ovário.

  • História familiar de câncer de mama masculino.

  • Dois familiares de primeiro grau com câncer de mama abaixo de 50 anos.

  • Ser portadora de mutações genéticas (BRCA1, BRCA2, Síndrome de Li Fraumeni, mutação de p53 entre outras).

 

Diferentemente da ideia que a população apresenta, mulheres que apresentam mutação genéticas e que podem passar essas mutações a seus descendentes, correspondem à 5 a 10 % das mulheres acometidas.

 

Os fatores descritos acima, são denominados fatores de risco: a presença de um ou mais destes fatores não significa que a mulher necessariamente terá a doença.

A amamentação e a gravidez são fatores protetores contra o câncer de mama. Cada ano de amamentação completa diminui o risco pessoal de desenvolver o câncer de mama em 3 a 5%. Mesmo que a paciente desenvolva o câncer, a amamentação induz ao aparecimento de um sub tipo menos agressivo. Sabemos também que mesmo a amamentação mista (associando o aleitamento à alimentação da criança) produz um efeito protetor contra o câncer. Também identificamos a importância sobre a gravidez contra o câncer de mama, engravidar antes dos 25 anos promove um amadurecimento precoce do tecido mamário, que o torna mais resistente às modificações que induzem ao câncer de mama. Conclui-se que não amamentar e não engravidar faz com que a mulher perca dois importantes fatores protetores.

 

Exposição a determinadas substâncias e ambientes, como agrotóxicos, benzeno, campos eletromagnéticos de baixa frequência, campos magnéticos, compostos orgânicos voláteis (componentes químicos presentes em diversos tipos de materiais sintéticos ou naturais, caracterizados por sua alta pressão de vapor sob condições normais, fazendo com que se transformem em gás ao entrar em contato com a atmosfera), hormônios e dioxinas (poluentes orgânicos persistentes altamente tóxicos ao ambiente. São normalmente subprodutos de processos industriais e de combustão) pode estar associada ao desenvolvimento da doença. Os profissionais que apresentam risco aumentado de desenvolvimento de câncer de mama são os cabeleireiros, operadores de rádio e telefone, enfermeiros e auxiliares de enfermagem, comissários de bordo, trabalhadores noturnos. As atividades econômicas que mais se relacionam ao desenvolvimento da doença são as da indústria da borracha e plástico, química e refinaria de petróleo.

 

Maneiras de prevenção

Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como:

 

  • Evitar o sobrepeso, principalmente a obesidade após a menopausa.

  • Pratica esportiva diária.

  • Alimentação saudável.

  • Evitar consumo de bebidas alcoólicas, principalmente destilados.

  • Engravidar cedo ( antes dos 25 anos) e associar a amamentação.

  • Evitar uso de hormônios seja para melhora da pratica esportiva, quanto para reposição hormonal na menopausa.

Sinais e sintomas

Primeiramente, nos empenhamos em realizar o diagnóstico de maneira sub clinica, ou seja, quando ele não produz sintomas. Para isso orientamos a realização de mamografia para toda a mulher ASSINTOMATICA, à partir dos 40 anos, realizando o exame anualmente, enquanto a mulher apresentar boas condições de saúde para realização do exame.
 

A ultrassonografia mamária é um exame que apresenta indicações precisas:

  • Mulheres com alterações palpatórias , em qualquer idade.

  • Dúvidas em pacientes que estão gravidas ou amamentando.

  • Avaliação inicial de próteses mamárias.

  • Complementação de mamografia inconclusiva.

 

A ressonância magnética é um exame com alta sensibilidade (consegue detectar inúmeras modificações) porém com menor especificidade ( muitas vezes mostra uma alteração suspeita para câncer, que não se confirma nas biópsias). É um exame que deve ser solicitado como complementação da mamografia e ultrassonografia.

 

Em pacientes consideradas de alto risco, deve-se iniciar o rastreamento à partir dos 35 anos. São consideradas pacientes de alto risco:

  • Dois ou mais parentes de primeiro grau (pais, irmãs ou filhas) ou de segundo grau (neta, avó, tia, sobrinha, meio-irmão) com câncer de mama e/ou de ovário.

  • Câncer de mama antes dos 50 anos (pré-menopausa) em um parente de primeiro grau.

  • História familiar de câncer de mama e de ovário.

  • Um ou mais parentes com dois tumores (de mama e de ovário ou dois tumores mamários independentes).

  • Parentes do sexo masculino com câncer de mama.

 

Apesar de toda a evolução dos métodos radiológicos, não é possível confirmar a presença do câncer com exames de imagem. É imprescindível a realização de biópsias em todas as alterações suspeitas. Raramente realiza-se uma cirurgia, em uma mulher sem diagnóstico prévio por biópsia.

São considerados sinais sugestivos de câncer de mama:

  • Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher. Infelizmente pesquisas demostram que a mulher percebe um nódulo de mama, por volta de 3 cm, o que é considerado um diagnóstico atrasado. Este é o motivo principal para não incentivarmos o “auto-exame” nos dias de hoje.

  • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja.

  • Retrações nos mamilos.

  • Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço.

  • Fluxo papilar ( saída de liquido pelo mamilo), que deve ser sanguinolento ou cristalino ( tipo “água de rocha”), espontâneo e contínuo. A presença de fluxo colorido, nos dois mamilos e não espontâneo ( somente quando se manipula o mamilo), não gera suspeita.

 

Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados por um médico para que seja avaliado o risco de se tratar de câncer. É importante que as mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem confortáveis para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamárias. Hoje denominamos estas práticas como auto conhecimento.

 

Em caso de permanecerem as alterações,  elas devem procurar logo os serviços de saúde para avaliação diagnóstica. A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas é fundamental para a detecção precoce do câncer da mama.