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Tratamento do carcinoma ductal in situ

Em abril de 2020, escrevi para o Boletim da Sociedade Brasileira de Mastologia, regional SP, um texto sobre o tratamento do carcinoma ductal in situ. Vou resumir por aqui.

O câncer de mama, dividi-se primeiramente em dois grandes grupos: carcinomas invasivos e carcinoma in situ. O invasivo tem a capacidade de invadir outros órgãos, por isso exige um tratamento mais agressivo, como a quimioterapia. Já o carcinoma in situ, encontra-se localizado na mama, sem a capacidade de invadir outros órgãos. Porém nossa grande preocupação é a capacidade de tornar-se invasivo, ou até , após o seu tratamento, recidivar (voltar) como carcinoma invasivo.

Nos EUA, cerca de 20-22% dos tumores de mama são diagnosticados na forma in situ. Já no Brasil, dados do Ministério da Saúde, demonstram que 7-9% dos nossos diagnósticos são neste estágio.

A principal forma de apresentação do carcinoma in situ, são as alterações radiológicas, como microcalcificações ( 80% das vezes). Daí a importância da realização da mamografia.

O tratamento do carcinoma invasivo é primeiramente cirúrgico. O objetivo é evitar a evolução para o carcinoma invasivo e de maneira secundária, reduzir as chances de voltar como carcinoma invasivo, associando também os resultados estéticos e funcionais com técnicas conservadoras, minimizando os efeitos deletérios do tratamento.

Classicamente a mastectomia ( retirada da mama) , sempre foi considerado o tratamento padrão-ouro, com taxas de sucesso superiores à 99%.

Paralelamente, temos como alterativa a cirurgia conservadora, retirada da lesão com margens de segurança, preservando-se a mama. Neste caso, na maioria das vezes, associa-se também a radioterapia.

Atualmente, uma evolução da mastectomia clássica, é a chamada mastectomia poupadora de pele e mamilo. Neste tipo de procedimento, retirada todo o tecido fibroglandular da mama, preservando-se toda a pele, mamilo e aréola, realizando a reconstrução mamária imediata. Este procedimento apresenta as mesmas chances de sucesso que a mastectomia clássica.

Após a cirurgia, avaliam-se os receptores hormonais deste carcinoma in situ. Caso positivos, o paciente deverá receber hormonioterapia por 5 anos, com o intuito de diminuir as chances de volta do carcinoma e também protegendo a outra mama.



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